segunda-feira, 20 de março de 2017

Escrevendo para crianças

O público infantil possui particularidades como qualquer outro público. Porém, um erro que muitos podem cometer é subestimar as crianças, como se escrever para elas fosse algo mais raso ou simples.

Na verdade, somos treinados desde pequenos a ouvir histórias, embarcando nelas e construindo nosso próprio mundo da imaginação. Não é porque a criança ainda está construindo seu repertório que ela não mereça algo bem desenvolvido.

Costumou-se dividir esse público em três faixas principais. A pré-escolar, que engloba crianças até cinco anos. A primeira infância, com crianças entre 06 e 09 anos. E a segunda infância, que vai de 10 a 12 anos, também chamados de pré-adolescentes. Ainda que possam parecer próximos em muitos momentos e ainda mais diversos em outros, essa é uma forma de enquadrar os projetos de uma maneira mais funcional.

A Guardiã se encaixa na primeira infância, com um público principal de crianças entre 06 e 09 anos. Elas estão começando a descobrir um novo mundo, através da leitura e escrita, construindo seus primeiros passos de autonomia. Aumenta a sua capacidade crítica e busca opinar e discutir assuntos de sua idade. É uma fase também de formação de grupos, os vínculos e a construção de sua própria identidade.

Segundo D.J. Hargreaves, no livro Infancia y educación artística (Madrid, 1991), nessa fase, as crianças buscam histórias que:
- Que as confirmam
- Nas quais elas possam encontrar contornos sobre si mesmas
- Nas quais se apresentam os seus conflitos, medos e transformações
- Nas quais suas emoções são tocadas
- Espaços nos quais sejam levadas em conta as suas vozes e opiniões frente a problemáticas concretas que as afetam

Em A Guardiã, Iara passa por uma transformação extrema. Ela é apresentada a um novo mundo, adquire poderes e responsabilidades diante dos outros. Há o medo do desconhecido, mas há também a possibilidade de se tornar uma heroína, algo que toda criança sonha mesmo que secretamente. Ser alguém importante, o escolhido.

Dessa maneira, esperamos atingir o público, construindo a empatia e identificação com Iara e ajudando às crianças a embarcarem na aventura de uma maneira mais intensa.