segunda-feira, 26 de junho de 2017

Cenas e diálogos

Com a escaleta pronta, parte-se para a escrita das cenas. A descrição é mais detalhada e há a abertura de diálogos.

Bons diálogos precisam ter ritmo, e isso é importante de se observar. Principalmente, porque as personagens começam a ganhar forma aqui. Como elas falam? Tem bordões? Falam muito ou pouco? É preciso diferenciar o que as personagens falam do que o roteirista gostaria que eles falassem. Isso faz toda a diferença.

Alceu, por exemplo, fala demais, enquanto Iara é mais contida. O passarinho também é o alívio cômico, suas falas tem que trazer alguma graça. O primeiro diálogo deles demonstra isso:

ALCEU - Uma Tunca, quem diria. Nunca pensei em ver uma assim tão novinha. Se bem que minha avó contava de quando Jurema chegou, assim também, tão ingênua, tadinha. Até que ele fez o que fez.
IARA - Ele é o Guardião, né? O ipê? Mas o que ele fez com Jurema? Ela era uma menina igual a mim? Por que ficou assim tão má?
ALCEU - Jurema? Sim, minha avó sempre me contava. Ela chegou aqui assim que nem você, uma menina assustada, tão bonitinha. Mas ficou presa no Guardião e foi ficando triste, envelheceu rápido. Aí foi ficando braba e bem má.
IARA - Por que ele faz isso?
ALCEU - O Ipê? Porque ele é o guardião do portal entre os mundos. Esse aqui e o de cima. E ele precisa de uma tunca com ele.
IARA - Por quê?
ALCEU - Ora, porque... o porquê eu não sei, mas é assim.
IARA - E só se pode passar entre os mundos através dele?
ALCEU - Sim. Só os passarinhos conseguem passar o portal sem a ajuda dele. 
Alceu faz uma expressão de vitória. Iara fica olhando.
IARA - Então me ensina.
ALCEU - Você é um passarinho?
IARA - Eu pensei que...
ALCEU - Não pense, se você quer subir, tem que ser pelo portal.