Após construir personagens e mundo ficcional, é preciso planejar a trama que irá se desenvolver no roteiro. Para isso, apelamos para Aristóteles e a construção dos atos que, até hoje, é a base dramatúrgica dos roteiros.
Aristóteles falava em cinco atos que perfaziam a estrutura do teatro. Atualmente, são utilizados três atos que contém a apresentação, o desenvolvimento e a resolução do conflito. Porém, nas narrativas modernas acaba existindo um teaser antes, que ambienta o tom da aventura e muitos trazem uma pílula final, com o epílogo. A Marvel mesmo se especializou em cenas pós-créditos que dão ganchos para novas aventuras.
A Guardiã tem isso. Há uma apresentação, com uma narração em voz over que ambienta o espectador, antes de iniciar o primeiro ato. E há uma cena final que funciona como epílogo, com os seres do mundo subterrâneo.
A ideia da escaleta é perceber se as cenas estão funcionando ou se falta algo, antes de partir para a escrita do roteiro em si. Muitas vezes, percebemos nessa etapa o que não está funcionado e fica mais fácil mudar antes da escrita de páginas e mais páginas de roteiro.
Os atos funcionam de maneira auto-explicativa. O primeiro ato é apresentação do mundo e conflito. O famoso "tudo estava bem até que...". O roteiro de um longa normalmente é construído a partir de um conflito principal. Alguém quer algo e precisa fazer alguma coisa para obtê-lo.
Há diversas fórmulas para facilitar a jornada, como a teoria de Joseph Campbell, que criou a Jornada do Herói. Mas, o importante é mesmo compreender o que pede a sua aventura e guiar seu protagonista pelos caminhos que o levam à resolução do conflito.
O segundo ato é exatamente isso, o desenvolvimento desses passos. Como ele irá buscar resolver o conflito, os desafios pelo caminho, os ajudantes, os oponentes. Muitas vezes, ele achará que não irá conseguir, mas sempre deve haver uma esperança.
E o terceiro ato é a resolução. Como ele consegue atingir o seu objetivo e o que muda a partir de então. Ele muda, o mundo muda, mas retorna o equilíbrio.
A escaleta é exatamente a listagem de todas as cenas, separadas pelos atos. Normalmente já com o cabeçalho, mas pode ser apenas uma lista mais solta. Depende do roteirista. O importante é você enxergar tudo o que tem no filme, para avaliar se falta algo ou não.