segunda-feira, 22 de maio de 2017

Construção do Mundo

Assim como a construção de personagens, construir o mundo ficcional é brincar de Deus. É preciso pensar nas leis que regem esse mundo e como é a interação das personagens nele.

Em caso de animação, esse processo é ainda mais complexo, pois as leis costumam ser mais flexíveis do que em live action. É possível fazer uma personagem despencar de um barranco, por exemplo, e não ter maiores consequências. Pode-se tirar objetos do nada ou criar gags com situações que pareçam impossíveis. Porém, tudo isso precisa ser verossímil, fazer parte daquele universo e ter uma coerência interna.

No caso de A Guardiã, o mundo subterrâneo é um espaço ainda aberto, onde as leis da física e química parecem esquecidas. O fato de os passarinhos conseguirem ultrapassar o portal, por exemplo, é algo sem uma explicação lógica. Eles simplesmente atravessam o limiar, sem precisar de portal. Convivem entre os dois universos, tornando-se criaturas especiais. Fora eles, apenas as Tuncas podem transitar, através dos guardiões dos portais.

A criação da mitologia das Tuncas foi um processo à parte. Não queríamos utilizar as bruxas, ou outras mitologias existentes, para dar um ar especial a aventura. Algo exclusivo. É mais difícil de trabalhar do zero, porém, como o longa-metragem tem um caráter de apresentação mesmo, achamos que seria ideal. Iara é uma Tunca e não sabe disso, então, ela funciona como a novata, que irá descobrir um mundo novo e suas regras.

Assim, o espectador irá conhecendo com ela, tornando mais fácil a apresentação desse mundo e suas regras.